tenho lido por aí várias reflexões de vários tipos sobre a última década, e foi inevitável não parar pra pensar em como foi a minha.
aí vem a parte engraçada. dez anos atrás eu tinha por volta dos 13 anos, então, daquela época até agora, o que mudou na minha vida? tudo. aos 13, eu não gostava das músicas que gosto hoje em dia, não lia o que leio, não frequentava os lugares que frequento, sequer tinha a altura que tenho. Aos 13 eu estava terminando o 1° grau (nem era ‘ensino fundamental’ ainda), hoje já quero mudar de profissão.
as coisas que me são essenciais foram descobertas basicamente na última década. a literatura, exceção, na primeira década da vida. depois vieram a música e o cinema, nessa ordem. o sexo nesse entremeio, e os amigos mais especiais junto com tudo isso. na última década comecei e terminei um curso superior, comecei e desisti de outro. graças à literatura, entre 2004 e 2008 estudei letras, que me levou à publicidade – deus sabe onde isso vai dar.
há 10 anos eu não conhecia bob dylan, mas já gostava de beatles. não tinha a zélia, o marcos, o dudu por perto. não tinha a lídia e tantas outras pessoas que fazem parte do meu dia-a-dia. há dez anos eu não tomava cerveja. há dez anos eu não gostava tanto de viajar, mas já queria abarcar o mundo com as pernas. há dez anos eu não fazia ideia de quanto seria feliz aos 23. aos 13, era impossível me livrar da adolescência.
há dez anos eu não tinha as vontades que tenho agora, a cara que tenho agora, o humor que tenho agora. há dez anos eu não tinha nem email, vejam só! =P
há 10 anos eu não via nenhum filme além dos que passavam na tv – mas nunca li tanto na minha vida. aos 13 eu não tinha nem um terço dos livros que tenho agora, e a obrigação que eu achava que existia em ter uma fé (ou ter fé) me angustiava. nesses 10 anos eu descobri que ter fé não é essencial, e isso me aliviou da carga de deus. e me encheu da angústia de que nunca vou conseguir ouvir todas as músicas que quero.
nesses dez anos, minha hiperatividade se transformou em estabanamento, e deixa de ser culpa da psicologia pra ser culpa só minha. nos últimos anos dessa década, vi que meu cabelo fica bem melhor curto, e que já devia ter tomado essa decidão há muito mais tempo. nesse tempo, os los hermanos começaram e acabaram, e eu já posso dizer que vi uma banda do começo ao fim (quem não tem beatles, caça com camelo).
nos últimos dez anos, eu quis ser de cientista à artista plástica, achei que nunca passaria em física no 3° ano, que era impossível aprender inglês, que aquele cara que eu nem lembro mais o nome era o homem da minha vida, que leria todos os livros do kafka, que a melhor banda do mundo era a legião urbana.
nesse fim de década, percebi o quanto mudamos em dez anos, em quanto a vida muda em dez anos. em quanto os nossos interesses mudam de rumo, em quanto o “pra sempre” nunca dura tanto assim.
na última década, eu ouvi de heavy metal a folk rock, de jazz a mamonas assassinas. espero que os próximos dez sejam tão reviravoltantes quanto.
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